188: Autarca de Leiria fala em cenários semelhantes aos de uma guerra. Aumenta para cinco número de vítimas mortais

0
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Depressão Kristin: A A1 está ainda cortada no sentido sul-norte em vários pontos entre Torres Novas e Pombal.

O efeito do vento junto à A17
Reinaldo Rodrigues

Homem de 34 anos morreu no concelho da Marinha Grande

Um homem de 34 anos morreu hoje no concelho da Marinha Grande na sequência do mau tempo, divulgou a Câmara da Marinha Grande, o que eleva para cinco o número de vítimas mortais devido à depressão Kristin.

Numa informação enviada à agência Lusa, o Município da Marinha Grande informa que accionou hoje o Plano Municipal de Emergência, na sequência da passagem da depressão Kristin, pelo concelho, que provocou uma vítima mortal (um homem de 34 anos), uma dezena de feridos ligeiros, cerca de meia centena de desalojados e uma situação de destruição por todo o território”, anunciou a autarquia.

Fonte da autarquia disse à agência Lusa que a morte ocorreu na freguesia de Vieira de Leiria.

Lusa

A1 cortada no sentido Norte-Sul entre Pombal e Leiria

A Autoestrada 1 (A1) no sentido Norte-Sul, entre os nós de Pombal e Leiria, encontrava-se cortada pelas 19:00 de hoje, enquanto no sentido inverso, entre Torres Novas e Leiria, o trânsito foi reaberto, indicou fonte da Brisa.

Em comunicado, concessionária indicou o corte na circulação, estando o trânsito a ser desviado pela saída de Pombal (IC8/A17), sem acrescentar mais detalhes.

A Brisa referiu ainda, na mesma nota, que no sentido inverso, sul-norte, o trânsito já estava reaberto.

Antes, fonte da Brisa tinha adiantado que, pelas 17:10, tinha sido reaberta a circulação na A1 entre os nós de Pombal e Leiria e que se mantinha cortado no sentido inverso entre Torres Novas e Leiria.

Pelas 14:00 fonte oficial da Guarda Nacional Republicana (GNR) indicou à Lusa que a circulação na A1 decorria “com dificuldades e corte de via entre o nó de Torres Novas e Pombal”, afectando “ambos os sentidos” para a realização de “trabalhos de limpeza da via” pela queda de árvores.

Lusa

Escolas de Soure encerradas na quinta-feira

As escolas em Soure, no distrito de Coimbra, vão manter-se encerradas na quinta-feira, na sequência da passagem da depressão Kristin, anunciou a Câmara.

“Os estabelecimentos escolares da rede pública manter-se-ão encerrados no dia de amanhã (quinta-feira), por precaução e para se proceder aos trabalhos de limpeza e manutenção necessários”, informou a Câmara Municipal de Soure, numa publicação nas suas redes sociais.

A autarquia activou hoje o Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil face aos efeitos provocados pela depressão Kristin no concelho de Soure.

Segundo o município, não existe previsão para o restabelecimento total do fornecimento de energia eléctrica e apenas algumas operadoras de comunicações móveis se encontram a funcionar, “existindo ainda muitas falhas”.

“Não há previsão para a normalização do serviço”.

Todas as ligações viárias principais estão desobstruídas, mantendo-se cortada a ligação entre Soure e Sobral/Simões, na zona da Corredoura.

“A Linha do Norte ainda não está operacional, mas as equipas estão a trabalhar no local”.

Na sequência da falha da rede eléctrica, não há água, sendo que a Câmara Municipal apelou ao uso racionado de água.

É recomendado que a população que evite deslocações desnecessárias.

Lusa

AHRESP acompanha empresas atingidas pela depressão Kristin

A AHRESP – Associação da Hotelaria, Restauração e Similares de Portugal disse hoje que estava a acompanhar a situação das empresas dos sectores sob a sua responsabilidade afectadas pela depressão Kristin e a recolher informação sobre os prejuízos, segundo um comunicado.

A associação “está a acompanhar de perto a situação das empresas dos sectores da restauração e similares e do alojamento turístico atingidas por esta intempérie”, disse em comunicado.

Segundo a entidade, “em muitos territórios, estes estabelecimentos são estruturas essenciais de apoio à vida local e à economia regional, pelo que os danos sofridos representam perdas empresariais, assim como impactos sociais e territoriais relevantes”.

Através da sua rede de delegações regionais, a associação está “a recolher informação sobre os prejuízos registados e as necessidades mais urgentes das empresas afectadas”, e mantém contacto com entidades regionais e nacionais para avaliar medidas de apoio aos territórios atingidos.

A AHRESP apela ainda para o “cumprimento rigoroso das orientações das autoridades por parte de residentes e visitantes, reforçando a importância da segurança neste momento”.

Lusa

Actividade lectiva retomada em Vila Nova de Poiares na quinta-feira com excepções

A actividade lectiva é retomada na quinta-feira em Vila Nova de Poiares, no distrito de Coimbra, mas não para todos os anos de escolaridade.

A decisão foi anunciada num aviso conjunto da Câmara Municipal e do Agrupamento de Escolas de Vila Nova de Poiares, publicado nas redes sociais, na sequência da activação do Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil e após uma avaliação detalhada da situação nas várias escolas do Agrupamento.

Na quinta-feira, haverá actividade lectiva para as crianças do Jardim de Infância, alunos do 1.º ciclo do ensino básico e do 5.º ano, assim como para os alunos do ensino secundário (10.º, 11.º e 12.º anos dos Cursos Científico-Humanísticos e dos Cursos Profissionais).

Não haverá actividades lectivas para todos os alunos do 6.º, 7.º, 8.º e 9.º anos.

Prevê-se que, na sexta-feira, “estejam reunidas todas as condições para o normal funcionamento da escola sede, com a presença de todos os alunos”.

A Câmara Municipal de Vila Nova de Poiares activou hoje o Plano Municipal de Emergência de Protecção Civil, “que visa garantir a mobilização rápida e eficaz de meios e recursos, reforçar a coordenação das entidades envolvidas e assegurar uma resposta pronta a eventuais ocorrências no concelho”.

No concelho, a ocorrência mais significativa verificou-se na Escola Dr. Daniel de Matos, onde os telhados de dois pavilhões foram arrancados pela força do vento.

Lusa

Diário de Notícias
Susete Henriques, Sofia Fonseca, Rui Frias, David Pereira
28.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

187: O crepúsculo dos generais: onde a traição e o medo se cruzam em Pequim

1
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

A queda de Zhang Youxia e Liu Zhenli, confirmada este fim de semana, é uma falha sísmica no coração do regime chinês que coloca o país numa fragilidade institucional sem precedentes. As acusações formais de violações disciplinares ocultam o que, segundo relatos não-confirmados em círculos dissidentes e análises especulativas, poderá ter ocorrido a 18 de Janeiro no Hotel Jingxi: uma alegada tentativa de golpe abortada.

Independentemente da veracidade destes rumores, impossíveis de confirmar num sistema opaco, o simples facto de ganharem tracção revela a percepção de que algo profundo se quebrou no pacto militar-partidário. Se o cenário for real, a dissuasão nuclear e a estabilidade do regime revelam-se vulneráveis; se for apenas uma purga inflacionada, Xi terá atingido um grau de paranóia tal que a única forma de remover um aliado de sempre é colá-lo ao crime mais hediondo, destruindo a coesão do comando militar.

Para compreender a magnitude do evento, é preciso caracterizar a importância da Comissão Militar Central (CMC). No sistema chinês, o Estado é secundário e o Partido é soberano, mas o Partido só governa porque controla as armas através da CMC. É ali que a ideologia se transforma em capacidade operacional e onde a autoridade política se converte em poder coercivo.

Quando Xi elimina a chefia operacional e ordena a detenção de milhares de militares, não está apenas a combater a corrupção; está a reconfigurar a própria arquitectura do poder, substituindo a continuidade institucional por um controlo pessoal absoluto. Ao sacrificar Zhang Youxia, Xi remove a última barreira psicológica da elite: a mensagem é que nem décadas de lealdade garantem a sobrevivência. Com este gesto, o líder isola-se no topo, reafirmando que não há parcerias, apenas submissão. Agora, é só ele quem manda.

O motor deste conflito pode residir num tabu político: a hipótese de um plano de sucessão hereditária de Xi Jinping. A resistência militar a uma eventual deriva dinástica, personificada em Zhang Youxia, terá precipitado o confronto. Alguns analistas independentes apontam como sinal inquietante a redução drástica do tráfego aéreo comercial sobre a região de Ningxia, onde residirá o putativo sucessor, agora protegida por um cordão sanitário de segurança.

Esta crise mergulhou o país numa paralisia estratégica total, visível no receio dos mercados. As quedas acentuadas nas acções de gigantes da Defesa como a AVIC e a Norinco parecem reflectir menos o medo da guerra e mais a incerteza sobre quem detém o controlo da cadeia de comando, num momento em que dispositivos de comunicação foram confiscados e as tropas congeladas.

Esta crise explode num péssimo momento internacional. Com a Venezuela em reconfiguração e a escalada regional a aproximar-se de um confronto com o Irão, a margem de erro de Xi estreita-se. A China vê-se pressionada externamente, reagindo com notas diplomáticas invulgarmente duras que condenam a ingerência estrangeira em questões de Segurança Nacional, numa tentativa de associar a instabilidade interna a ameaças externas. Um líder que não confia nos generais que guardam o seu arsenal nuclear é um líder encurralado.

E a história ensina que líderes encurralados tendem a cometer erros de cálculo fatais, capazes de incendiar não apenas o Estreito de Taiwan, mas toda a ordem global. O crepúsculo dos generais sugere que o centro de gravidade do poder chinês entrou numa fase de turbulência em que cada bala política disparada por Xi enfraquece o Exército de que precisa para o seu sonho chinês.

Este tipo de convulsões, embora frequentes em regimes autoritários, envia um sinal de inquietude aos apologistas destes sistemas e impõe reservas aos especialistas que, cegos pelo determinismo, acreditam que o trajecto da China rumo à liderança mundial é um destino garantido e imune às falhas humanas do poder absoluto. No fim, até os impérios mais disciplinados descobrem que o crepúsculo começa sempre dentro das muralhas.

Analista de Estratégia, Segurança e Defesa

Diário de Notícias
Jorge Silva Carvalho
28.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

186: ‘Requiem’ por uma amiga

1
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

Eu tive os meus mortos e deixei-os ir

Rilke, ‘Requiem’ por Uma Amiga

Nasci com o ciclone de 1941

Maria Alzira Seixo “Autobiografia”

in JL 24/10 – 6/11/2007

O turbilhão em que Maria Alzira Seixo nos envolvia, fôssemos colegas ou amigos, era suficiente para, ao mesmo tempo, nos abalar e nos estimular. Abalar as nossas certezas e ideias preconcebidas, estimular a nossa capacidade crítica, mesmo que tivéssemos de passar pelo confronto. O ciclone de 1941 não se limitou a destruir, pois deixou boas sementes.

Hoje estivemos juntos para a deixar ir. A sua pessoa inteira já nos deixara há alguns anos, a doença foi-a diminuindo vorazmente, mas a perda da morte é o choque final que não conseguimos olhar de frente, como o sol.

Ao pleno sol de Odeceixe ela caminhava altivamente e pela tardinha vinha ter connosco, ao nosso terraço, e falava das suas leituras, das suas descobertas, das suas certezas. Às vezes, apetecia-me opor-me a tantas certezas, mas ela tinha uma argumentação cerrada e sempre ao ataque, que fundamentava com saber e eloquência.

Ela vivia também no amor da literatura, uma coisa que não sei se ainda é suficientemente partilhada por nós. De todo o aparato estruturalista, emergia, como no seu mestre Barthes, o “prazer do texto”, esse gozo sereno da leitura e da sábia e lenta apropriação do que lemos. Essas tardes enormes de leitura ao sol, junto ao mar, sem Internet e sem telefones, entregues à flauta de Hamelin dos nossos escritores preferidos, são inesquecíveis nestes tempos de velocidades sem nexo. Ler a Guerra e Paz ou a Recherche, sem levantar os olhos de Tolstoi e de Proust até ao pôr do Sol.

A Maria Alzira não era uma mestra mecanizada pelo estruturalismo, era uma fina e cultíssima analista da literatura, do romance em primeiro lugar, mas sem deixar de ter um gosto marcado pela poesia, que aliás cultivou. Os seus poemas surgiram publicados em pequenas edições, que seria interessante hoje reunir.

Ao contrário do que afirma, num seu poema Elizabeth Bishop, a arte de perder não é fácil de aprender. Nesta fase das nossas vidas perdemos os nossos companheiros de geração e aqueles, um pouco mais velhos, que foram afinal nossos mestres, mesmo que nos tenhamos depois afastado das suas lições, porque nós crescemos e eles também.

Perder pessoas é perder o nosso mundo, o nosso quadro de referências, a nossa memória e a nossa ambição. O mundo vai escurecendo à nossa frente e o novo que emerge enche-nos de pavor. Que monstro está agora a nascer em Belém, pergunta Yeats num poema. Não sabemos. Pode ser Átila ou Jesus Cristo.

Mas nós somos responsáveis pelo mundo que criamos ou que deixamos acontecer. Maria Alzira Seixo sempre esteve do lado dos criadores.

Diplomata e escritor

Diário de Notícias
Luís Castro Mendes
28.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

185: Elevado estado de prontidão especial para o nível máximo na orla costeira entre Setúbal e Viana do Castelo

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // DEPRESSÃO KRISTIN

Prevê-se agravamento do estado do tempo para a próxima madrugada, com rajadas de vento que podem atingir os 150/160 km/h. Nova depressão Kristin tem um “potencial destrutivo muito significativo”.

LUÍS FORRA/LUSA

A previsão de agravamento do estado do tempo para a próxima madrugada, devido a uma nova depressão meteorológica, Kristin, levou a Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) a elevar esta terça-feira, 27 de Janeiro, o estado de prontidão para o nível 4 (o máximo) para a orla costeira, entre Setúbal e Viana do Castelo.

Tendo em conta a informação do Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA), a Protecção Civil referiu-se à nova depressão como um “fenómeno complexo”, com “elevado potencial para afectar a segurança de pessoas e bens”.

Nesse sentido, “durante esta manhã, reunimos extraordinariamente o centro de coordenação operacional nacional com os vários agentes de protecção civil e entidades que cooperam connosco e decidimos elevar o estado de prontidão especial para o nível 4 para toda a orla costeira, entre Setúbal e Viana do Castelo”, disse José Ribeiro, segundo comandante nacional da Proteção Civil, em conferência de imprensa.

O responsável explicou que o estado de prontidão especial nível 4 “é o máximo que temos no nosso sistema”. “Significa uma prontidão de até 100% dos dispositivos num prazo de 12 horas”, afirmou.

Maior impacto da nova depressão será entre as 03h00 e as 06h00. Tem “potencial destrutivo muito significativo”

Prevê-se que o maior impacto desta nova depressão meteorológica, denominada de Kristin, será sentido entre as 03h00 e as 06h00 de quarta-feira.

José Manuel Moura, presidente da ANEPC, explicou que “o impacto desta ciclo-génese explosiva, como foi explicado pelo IPMA, vai afectar a vulnerabilidade das redes, seja rodoviária, ferroviária, rede eléctrica, rede de transportes”. “De uma forma ou de outra vai sempre afectar com algum impacto este tipo de meios”, acrescentou.

Recomendou a adequada fixação de estruturas soltas, como andaimes, placards. “É fundamental para ventos desta ordem de grandeza, que podem atingir os 150/160 kmh, a ciclo-génese explosiva em contacto com a terra tem um potencial de dano muito significativo num curto espaço de tempo”, sublinhou o presidente da ANEPC.

O foco das autoridades está agora na depressão Kristin, que tem um “potencial destrutivo muito significativo”, indicou José Manuel Moura.

O distrito de Coimbra, até Aveiro, a norte, e até Leiria, a sul, será a zona de maior risco à passagem da depressão Kristin, que sucede à depressão Joseph e que o IPMA qualificou como “ciclo-génese explosiva”, termo utilizado para depressões de forte intensidade, tanto em vento como em chuva.

Durante a última noite, foram registadas 490 ocorrências, entre as 00:00 e as 07:45 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região metropolitana do Porto e principalmente quedas de árvores.

“Entre as 00:00 e as 07:45 de hoje foram registadas um total 490 ocorrências relacionadas com esta meteorologia adversa, sendo que a região Metropolitana do Porto foi a mais afectada e as ocorrências mais significativas estão relacionadas com quedas de árvores e inundações”, disse à Lusa Paulo Santos, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior.

Na Área Metropolitana do Porto foram registadas 141 ocorrências, na Grande Lisboa 35, na região Oeste 22, Alentejo 24 e Alentejo 16, estando as restantes espalhadas por outras regiões do continente.

“Durante a noite foram empenhados 1694 operacionais e 641 meios terrestres”, disse.

Dez mil clientes sem energia eléctrica às 11h30

A E-Redes informou, entretanto, que dez mil clientes, a maioria nas regiões centro e norte litoral, estavam às 11h30 de hoje sem energia eléctrica, estando mobilizados no terreno mais de 400 operacionais, segundo informação enviada pela empresa à Lusa.

“A E-Redes tem mobilizados 400 operacionais no terreno, tendo todas as equipas mobilizadas para um reforço para fazer face a eventuais agravamentos no impacto na rede de distribuição”, indica a empresa.

Num comunicado anterior, às 09h00, a empresa tinha indicado que oito mil clientes estavam sem energia por causa das condições meteorológicas adversas.

Ponte sobre o rio Zêzere cortada ao trânsito na Pampilhosa da Serra

A Câmara da Pampilhosa da Serra, no interior do distrito de Coimbra, interrompeu temporariamente a circulação na ponte que liga Porto de Vacas a Janeiro de Cima devido ao aumento do caudal do rio Zêzere.

“As equipas da Protecção Civil e dos serviços municipais encontram-se no terreno a acompanhar a situação e a desenvolver todos os esforços necessários para repor, com segurança, as condições normais de circulação”, referiu o município.

A autarquia, através da Protecção Civil Municipal, alertou ainda para a subida dos caudais dos rios Zêzere, Unhais e Ceira, que poderão originar ocorrências e situações excepcionais em algumas zonas do concelho.

Zona ribeirinha da Régua encerrada

A Câmara Municipal do Peso da Régua emitiu um aviso à população, dando conta que a zona ribeirinha está encerrada devido à subida do nível do rio Douro. “A ciclovia, o Cais da Régua e o Cais da Junqueira encontram-se temporariamente encerrados, por motivos de segurança”, informou a autarquia.

O município pede que seja respeitada “a sinalização existente no local” e que não sejam ultrapassadas as barreiras de protecção.

Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas

Vinte e cinco vias nacionais e municipais estavam às 07:00 desta terça-feira interditadas por inundação ou desmoronamento nas regiões do norte e centro, devido ao mau tempo, segundo a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo dados enviados à Lusa pela GNR, estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém.

Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém.

De acordo com a GNR, estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga).

Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã).

Na segunda-feira, foram registadas mais de 700 ocorrências, até às 20:00, devido ao mau tempo em Portugal continental, que afectaram sobre tudo a região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, levando ao realojamento de uma família no concelho de Oeiras.

Um deslizamento de terras colocou em perigo uma habitação em Porto Salvo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, levando ao realojamento de uma família de dois adultos e três crianças pela autarquia, adiantou na segunda-feira à Lusa Pedro Araújo, oficial de operações da ANEPC.

Num balanço à Lusa, Pedro Araújo referiu que o Norte foi a região mais afectada com 237 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (215) e Centro (214).

Aveiro, Porto e Coimbra sob aviso vermelho na quarta-feira devido a rajadas de vento que podem atingir os 140 km/h

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê chuva, neve, vento e agitação marítima como efeitos da passagem da depressão Joseph por Portugal continental, tendo emitido vários avisos.

Devido aos efeitos da depressão Joseph, o IPMA colocou os distritos de Aveiro, Porto e Coimbra sob aviso vermelho entre as 03:00 e as 06:00 de quarta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 140 quilómetros por hora (km/h).

O Instituto já tinha agravado na segunda-feira para vermelho os avisos devido à agitação marítima e para laranja devido à queda de neve, devido aos efeitos da depressão Joseph na passagem por Portugal continental.

Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 80 quilómetros por horas, sendo até 100 nas terras altas, até às 15:00 de hoje e depois na quarta-feira.

Os 18 distritos estão igualmente sob aviso amarelo entre as 03:00 e as 09:00 de quarta-feira devido à previsão de chuva por vezes forte.

Diário de Notícias
Susete Henriques, Agência Lusa
27.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

184: Mau tempo. Inundações, quedas de árvores e mais de 20 estradas fechadas

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

A Protecção Civil registou quase 500 ocorrências, entre a meia noite e as 07h45. A região Metropolitana do Porto foi a mais afectada pelos efeitos da depressão Joseph.

LUÍS FORRA/LUSA

A Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) registou 490 ocorrências, entre as 00:00 e as 07:45 relacionadas com o mau tempo, a maioria na região metropolitana do Porto e principalmente quedas de árvores.

“Entre as 00:00 e as 07:45 de hoje foram registadas um total 490 ocorrências relacionadas com esta meteorologia adversa, sendo que a região Metropolitana do Porto foi a mais afectada e as ocorrências mais significativas estão relacionadas com quedas de árvores e inundações”, disse à Lusa Paulo Santos, da ANEPC, realçando não haver registo de vítimas ou danos de maior.

Na Área Metropolitana do Porto foram registadas 141 ocorrências, na Grande Lisboa 35, na região Oeste 22, Alentejo 24 e Alentejo 16, estando as restantes espalhadas por outras regiões do continente.

“Durante a noite foram empenhados 1694 operacionais e 641 meios terrestres”, disse.

Oito mil clientes no continente sem energia eléctrica pelas 09h00

A E-Redes informou, entretanto, que oito mil clientes estavam às 09h00 desta terça-feira sem energia eléctrica em várias zonas de Portugal continental devido ao mau tempo provocado pela passagem da depressão Joseph, disse à Lusa fonte da empresa.

Em comunicado, a E-Redes informa que a rede eléctrica foi impactada pelas condições meteorológicas adversas, indicando que às 01:00 de hoje cerca de 40 mil clientes estavam sem energia, sendo o distrito de Viana do Castelo o mais visado.

As equipas operacionais da E-Redes têm estado mobilizadas na resolução das avarias que se registaram na média e baixa tensão.

“Nesta altura, 09h00, estão 8.000 clientes sem energia, mantendo-se o dispositivo operacional no terreno a reparar todas as situações pendentes”, é referido ainda na nota.

Mais de 20 estradas nacionais e municipais fechadas

Vinte e cinco vias nacionais e municipais estavam às 07:00 desta terça-feira interditadas por inundação ou desmoronamento nas regiões do norte e centro, devido ao mau tempo, segundo a Guarda Nacional Republicana (GNR).

Segundo dados enviados à Lusa pela GNR, estão interditadas ao trânsito a Estrada Nacional (EN) 9-1 (Estrada da Lagoa Azul) no Linhó, concelho de Sintra, EN 10 Torres do Mondego, em Coimbra, EN 262 em São Romão do Sado, em Setúbal, e EN 365 na Golegã, em Santarém.

Estão também suspensas à circulação a EN 3-2 em Valada, no Vale de Santarém, EN 8-2 em Casal Lourim, na Lourinhã, EN 205-1, em Rio Tinto, em Braga, e EN 301 em Argela, em Viana do Castelo, e EN 358-2 em Constância, no distrito de Santarém.

De acordo com a GNR, estão igualmente fechadas vias na Serra da Estrela, a Nacional 102, ao quilómetro (km) 53,4, em Torre de Moncorvo (Bragança), EN 316 ao quilómetro 37, em Macedo de Cavaleiros (Bragança), a Estrada Municipal (EM) 511 em Merujal (Arouca), EM 1227 Noninha em Arouca, ER 326 em Cando, ER 311, Rio Douro, Cabeceiras de Basto e Várzea (Braga).

Estão ainda fechadas a EM 1133, Estrada de Santo António, em Riba de Mouro (Viana do Castelo), EN 110 km 4,8 entre Penacova e Coimbra, EM 1416 em Moradias, Pampilhosa da Serra, EM 547 em Alto do Fajão, Vila Pouca de Aguiar (Vila Real), EN 344 em Castanheira da Serra (Coimbra), EM 1355 em Covanca, em Pampilhosa da Serra, EN 236 em Casal Novo (Coimbra), e EM 1374 em Barrica Grande-Portela de Unhais (Covilhã).

Na segunda-feira, foram registadas mais de 700 ocorrências, até às 20:00, devido ao mau tempo em Portugal continental, que afectaram sobre tudo a região Norte e de Lisboa e Vale do Tejo, levando ao realojamento de uma família no concelho de Oeiras.

Um deslizamento de terras colocou em perigo uma habitação em Porto Salvo, concelho de Oeiras, distrito de Lisboa, levando ao realojamento de uma família de dois adultos e três crianças pela autarquia, adiantou na segunda-feira à Lusa Pedro Araújo, oficial de operações da ANEPC.

Num balanço à Lusa, Pedro Araújo referiu que o Norte foi a região mais afectada com 237 ocorrências, seguida de Lisboa e Vale do Tejo (215) e Centro (214).

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) agravou na segunda-feira para vermelho os avisos devido à agitação marítima e para laranja devido à queda de neve, devido aos efeitos da depressão Joseph na passagem por Portugal continental.

Todos os distritos de Portugal continental estão sob aviso amarelo por causa do vento forte com rajadas até 80 quilómetros por horas, sendo até 100 nas terras altas.

Devido aos efeitos da depressão Joseph, o IPMA colocou os distritos de Aveiro, Porto e Coimbra sob aviso vermelho entre as 03:00 e as 06:00 de quarta-feira por causa do vento forte com rajadas da ordem dos 140 quilómetros por hora (km/h).

Os 18 distritos estão igualmente sob aviso amarelo entre as três e as nove horas de quarta-feira devido à previsão de chuva por vezes forte.

Diário de Notícias
DN/Lusa
27.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

183: Venda-se as Obrigações do Tesouro dos EUA!

0
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

A exigência de Trump de anexação da Gronelândia pelos EUA provocou uma veemente condenação dos governos europeus. Trump respondeu com a ameaça de imposição de tarifas adicionais a países europeus. Em consequência, o Parlamento Europeu (PE) recusou ratificar o acordo comercial assinado entre a UE e os EUA no final do ano passado. A liderança americana vai continuar a manter uma postura conflituosa com os países europeus.

O presidente francês, E. Macron, propôs a aplicação do Instrumento Anti-coerção (ACI) Europeu. Sem prejuízo da utilização deste instrumento (e/ou outras medidas), o que será eficaz em relação às ameaças de Trump é a utilização da dívida pública americana detida pelos países europeus.

A dívida pública dos EUA atingiu os 38 biliões de dólares (Bi$). No final do corrente ano fiscal, ultrapassará os 41Bi$. Em 2025, o Tesouro americano teve de emitir 9Bi$ em novas Obrigações do Tesouro (UST, Treasuries) para financiar o défice orçamental e pagar as vencidas nesse ano. Em 2026 terá de emitir 12Bi$.

Quando Trump começou a ameaçar vários países com tarifas hiperbólicas, um dos países visados – o Japão (que detinha c. 1,1 biliões de dólares em títulos da dívida pública federal americana) – sem alarido, vendeu no mercado 72 mil milhões (mM$) de UST. A taxa de juro das Treasuries a dez anos subiu, então, de 3,9% para 4,3%. Meses mais tarde, a China (que detinha c. 800mM$ em UST), no pináculo da aplicação de tarifas absurdamente elevadas por Trump, vendeu no mercado parte dessas UST, no valor de 50mM$. A taxa de juro das Treasuries a dez anos subiu, então, de 4,3% para 4,5%.

A subida das taxas de juro das Treasuries aumenta os encargos com a dívida pública federal americana. Mas também torna mais difícil a redução das taxas de juro de referência determinadas pela Fed. Trump vem pressionando a Fed para reduzir essas taxas de juro de referência, para ajudar à reactivação da actividade económica nos EUA.

Sem os vultuosos investimentos feitos pelas empresas tecnológicas, a economia americana teria estagnado, ou crescido, 0,1%, em 2025. A Fed vem resistindo porque considera que a inflação ainda não reduziu o suficiente. Porém, sem esta redução nas taxas de juro, o Partido Republicano deverá perder as eleições intercalares no final deste ano.

Os países europeus devem fazer o que o Japão e a China já fizeram – vender boa parte das UST que detêm (3,6Bi$, c. 40% da dívida americana detida por Estados estrangeiros). Atenta a imprevisibilidade da política dos EUA e o aumento do risco, os maiores fundos de pensões da Suécia (8mM$) e dos Países Baixos (11mM$) já começaram a fazê-lo.

A venda pelos países europeus deve ser efectuada de forma concertada entre eles, e também com outros países titulares de UST. Para o querido líder americano tomar consciência das suas fragilidades e perceber que as guerras não se travam só com equipamento militar.

Consultor financeiro e business developer

www.linkedin.com/in/jorgecostaoliveira

Diário de Notícias
Jorge Costa Oliveira
27.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

182: Tempestade Joseph traz dias críticos com cheias, rajadas fortes e agitação marítima

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // TEMPESTADE JOSEPH

Amanhã, 27 de Janeiro, será novamente um dia de risco elevado. A tempestade Joseph está a provocar um agravamento significativo do estado do tempo em Portugal continental, nos Açores e na Madeira, com chuva intensa, vento forte e mar muito agitado, levando a Protecção Civil a emitir avisos meteorológicos e a reforçar os apelos à população.

DR

A tempestade Joseph continua a agravar o quadro meteorológico em Portugal, estendendo os seus efeitos do continente aos arquipélagos dos Açores e da Madeira, num cenário marcado por chuva persistente, vento forte e agitação marítima severa. As autoridades mantêm avisos activos e reforçam os apelos à população para a adopção de comportamentos preventivos, numa semana que se antevê particularmente exigente.

No continente, a conjugação dos efeitos da depressão Ingrid com a chegada da tempestade Joseph está a provocar uma acumulação significativa de precipitação, sobretudo no Norte. A região do Minho permanece sob especial vigilância, enquanto ao longo de toda a Via Navegável do Douro vigora um aviso amarelo devido ao risco de cheias. A forte agitação marítima, associada aos períodos de preia-mar e às eventuais descargas da Barragem de Crestuma, poderá provocar alagamentos em zonas ribeirinhas e galgamentos costeiros, com impactos em vias rodoviárias e infra-estruturas.

O Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) prevê que segunda, 26, e terça-feira, 27 de Janeiro, sejam os dias mais críticos, com chuva por vezes intensa a norte do sistema montanhoso Montejunto-Estrela, vento forte e rajadas significativas. Em Lisboa, estão activos avisos amarelos de precipitação, vento e agitação marítima, com rajadas até 80 km/h e ondas entre 4 e 5 metros, criando condições propícias a ocorrências como quedas de árvores, danos em estruturas e perturbações nos transportes.

Nos Açores, a situação é ainda mais severa. O IPMA elevou para aviso vermelho o estado do tempo nos grupos Ocidental e Central, face à intensidade da tempestade, que tem provocado ventos muito fortes, chuva persistente e mar extremamente agitado, obrigando a medidas excepcionais de protecção civil.

A partir de terça-feira, 27 de Janeiro, será a vez do arquipélago da Madeira sentir de forma directa os efeitos da depressão Joseph. Segundo o IPMA, estão previstos períodos de chuva, mais intensos nas terras altas da ilha da Madeira, passando a regime de aguaceiros ao longo do dia. O vento soprará de oeste/sudoeste, moderado a forte, rodando para noroeste, com rajadas que poderão atingir 75 km/h, chegando aos 95 km/h nas zonas montanhosas.

O estado do mar será outro factor de preocupação. A ondulação de noroeste deverá situar-se entre 4 e 5 metros, aumentando para 5 a 6 metros na costa norte da Madeira e na ilha do Porto Santo. A altura máxima das ondas poderá alcançar os 12 metros, sobretudo a partir da tarde, tornando perigosas as actividades marítimas e a permanência junto à orla costeira. Face a este cenário, o IPMA emitiu avisos amarelos e laranja, principalmente devido ao vento forte e à agitação marítima.

Perante este quadro de instabilidade generalizada, os serviços de protecção civil reforçam as recomendações: evitar a circulação junto a zonas costeiras e ribeirinhas, garantir a fixação de estruturas soltas, remover objectos que possam ser arrastados pelo vento e acompanhar atentamente as informações oficiais. A tempestade Joseph confirma-se, assim, como mais um episódio de inverno severo, exigindo prudência e preparação em todo o território nacional.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

181: Mau tempo provoca cerca de 370 ocorrências em Portugal continental

1
0

 

🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Dados da Protecção Civil registadas até às 15:00 em Portugal continental, devido à depressão Joseph, com maior impacto em Lisboa e Vale do Tejo e Centro, sem registo de vítimas ou desalojados

José Sena Goulão/ LUSA

Cerca de 370 ocorrências relacionadas com o mau tempo foram registadas esta segunda-feira (26) em Portugal continental, até às 15:00, devido à passagem da depressão Joseph, afectando sobretudo Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro, revelou a Protecção Civil.

“Não há registo de vítimas até ao momento, nem desalojamentos neste episódio de mau tempo”, afirmou o oficial de operações da Autoridade Nacional de Emergência e Protecção Civil (ANEPC) Pedro Araújo, em declarações à agência Lusa.

Entre as 00:00 e as 15:00, a ANEPC registou um total de 372 ocorrências em Portugal continental, que foram respondidas “com o empenhamento de 1.256 operacionais e 535 veículos”.

Por tipologia, as situações verificadas em resultado das condições meteorológicas adversas incidiram em movimentos de massas (também designado de deslizamento de terras), inundações e limpezas de vias, indicou Pedro Araújo.

As zonas mais afectadas foram Lisboa e Vale do Tejo e a região Centro, em particular nos distritos do litoral, acrescentou o oficial de operações da ANEPC.

Segundo a Protecção Civil, estas ocorrências provocaram danos estruturais, quer nas vias, quer nas infra-estruturas.

“Há algumas vias que se encontram interditadas ao trânsito, estamos a falar sobretudo de estradas municipais e estradas nacionais”, referiu Pedro Araújo, indicando que esses constrangimentos afectam, particularmente, a região de Lisboa e Vale do Tejo, o litoral alentejano, a Lezíria e o Médio Tejo.

A interdição tem a ver com o facto de as estradas terem ficado submersas, “atendendo a que os níveis de água em algumas ribeiras e rios atingiram estas vias”, expôs.

No âmbito do mau tempo, que afecta Portugal continental, bem com os Açores e a Madeira, o oficial de operações da ANEPC reforçou que se prevê “o agravamento das condições meteorológicas para as próximas horas, sobretudo pela intensificação do vento, da precipitação e da agitação marítima”.

Por isso, a Protecção Civil apela à população em geral que se mantenha atenta e evite comportamentos de risco, nomeadamente não frequentando zonas que estejam submersas, nem locais de arvoredo onde a queda de árvores possa ocorrer com facilidade face à intensidade do vento, nem zonas costeiras, em particular zonas de rebentação de ondas.

Depois da depressão Ingrid, nos últimos dias, Portugal continental começou hoje a sentir os efeitos da depressão Joseph, com chuva, neve, vento e agitação marítima no Minho e Douro Litoral, informou o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os efeitos da depressão Joseph irão estender-se, de forma gradual, às restantes regiões de Portugal continental na noite de segunda para terça-feira, “e com a passagem de sucessivas ondulações frontais pelo menos até ao fim de semana”, segundo o IPMA.

Diário de Notícias
DN/Lusa
26.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

180: O colapso silencioso da ordem internacional

0
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

Há momentos em que os sinais de ruptura deixam de ser episódios dispersos e passam a formar um padrão inteligível. É isso que hoje se observa no sistema internacional. Na ONU, dois membros permanentes do Conselho de Segurança violam a Carta que juraram defender. Na NATO, um Estado-membro ameaça militarmente outro. Na União Europeia, a desagregação alastra entre e no interior das instituições. E na OMC, o sistema multilateral de comércio encontra-se soterrado sob tarifas, excepções unilaterais e bloqueios políticos persistentes.

Nenhum destes fenómenos é acidental ou episódico. Em conjunto, revelam uma crise profunda da arquitectura internacional construída após 1945, assente na ideia de que o poder deveria ser contido por regras, exercido através de instituições e legitimado por um mínimo de consenso normativo. O que hoje está em causa não é apenas a eficácia dessas instituições, mas a própria premissa fundadora de que a força deve ser subordinada ao Direito e não o inverso.

No caso das Nações Unidas, a contradição é estrutural e corrosiva. O sistema foi desenhado para evitar o regresso da guerra, mas confere a 5 potências um poder de veto que, em contexto de divergência estratégica profunda, bloqueia qualquer acção colectiva relevante. Quando o veto é usado para proteger violações claras da Carta, o Conselho de Segurança deixa de ser um mecanismo de gestão da paz e transforma-se num espelho da fragmentação do sistema internacional.

Na NATO, a erosão assume uma natureza distinta, mas igualmente inquietante. A Aliança Atlântica não é apenas um pacto militar, mas uma comunidade política baseada na confiança, na previsibilidade e na solidariedade estratégica. Quando um aliado ameaça outro com o uso da força, introduz-se uma lógica de dissuasão interna que mina o princípio da segurança colectiva. A NATO continua operacional do ponto de vista militar, mas a sua coesão política revela fissuras que não podem ser ignoradas.

Na UE, a crise é mais silenciosa, mas potencialmente mais duradoura. A fragmentação entre Comissão, Conselho e Parlamento, a crescente judicialização de decisões eminentemente políticas e a divergência estratégica entre Estados-membros quanto ao lugar da Europa no mundo enfraquecem a capacidade de acção externa da União. A UE mantém um poder normativo significativo, mas tem dificuldade em transformar esse poder em influência estratégica num contexto de competição aberta entre blocos geopolíticos.

Já na OMC o bloqueio é quase absoluto. O sistema de resolução de litígios está paralisado, as grandes potências recorrem a tarifas e subsídios como instrumentos de política externa e o comércio internacional regressa a uma lógica de força e retaliação. O multilateralismo comercial, um dos pilares centrais da globalização regulada, encontra-se funcionalmente suspenso.

O denominador comum é claro: as instituições continuam formalmente de pé, mas o consenso político e normativo que lhes dava sentido está a desaparecer. Não estamos perante um colapso súbito da ordem internacional, mas perante um colapso por erosão gradual e normalizado.

Este tipo de colapso não provoca rupturas imediatas mas corrói progressivamente os mecanismos de contenção do poder. As regras continuam a existir no papel, mas deixam de orientar o comportamento dos principais actores. A previsibilidade diminui, a excepção torna-se regra e a arbitrariedade ganha espaço.

O mundo não entrou ainda numa nova ordem internacional. Vive, isso sim, num interregno instável, em que as regras antigas já não conseguem conter o poder e as novas ainda não foram acordadas. A história mostra que estes períodos de transição raramente são neutros ou pacíficos.

Ignorar os sinais seria um erro estratégico e continuar a gerir a crise como se fosse apenas conjuntural poderá revelar-se, a prazo, a mais grave ilusão do nosso tempo.

Professor Convidado UCP/UNL/UÉ

Diário de Notícias
Bernardo Ivo Cruz
26.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading

179: Prémio Nobel do Pedaço

0
0

 

🇵🇹 OPINIÃO

Poderá ter passado quase despercebida, no meio do turbilhão provocado pelo furacão Trump, mas a intervenção mais certeira em Davos, no Fórum Económico Mundial, terá sido a piada utilizada por Elon Musk quando fez um jogo entre as palavras peace (paz) e piece (pedaço) para comentar o recém-anunciado Conselho de Paz (Board of Peace), uma das recentes criações do presidente norte-americano na sua obstinação em reescrever a ordem mundial. Talvez ninguém tenha explicado tão bem até hoje o que se passa realmente com a política externa norte-americana quanto o homem mais rico do mundo o fez naquele trocadilho.

A “paz” que apregoa o actual inquilino da Casa Branca soa cada vez mais a um jogo de distribuição de pedaços de território: “Um pedacinho da Venezuela, um pedacinho da Gronelândia. Todos queremos pedaços/paz”, descreveu com ar divertido Musk.

Claro que os EUA sempre articularam interesses económicos com a sua política externa, mas assistimos hoje à substituição da diplomacia no seu sentido clássico (poderemos ainda sequer usar essa palavra?) pelo puro negócio.

Donald Trump governa como sempre negociou: sob a bandeira do interesse patriótico, olha para o mundo como um portefólio de activos. Rodeado de uma teia de multimilionários, na qual o próprio Musk vai entrando e saindo conforme a conveniência, o presidente norte-americano transformou a política externa numa espécie de prolongamento do conselho de administração.

Num recente trabalho académico, os analistas políticos Stacie Goddard e Abraham Newman descrevem esta nova ordem emergente promovida pela Administração Trump e atribuem-lhe um nome: neo-royalismo. O “mundo trumpiano” parece-se mais com uma versão moderna da monarquia absoluta, um “neo-royalismo” onde um pequeno grupo de líderes e “hiperelites” domina o cenário global, explicam os autores ao Politico. E onde as decisões são feitas para beneficiar esse círculo, à boleia dos propalados interesses nacionais.

Este neo-royalismo ajudará assim a explicar decisões aparentemente irracionais e como o poder é concentrado e distribuído entre as elites que, como foi claro desde o dia da tomada de posse, gravitam no círculo mais próximo de Trump.

Os exemplos sucedem-se. Na Venezuela, sob o discurso patriótico da luta antidrogas e da defesa da democracia, estava em jogo o controlo da exploração de petróleo. Na Gronelândia, sob a capa da segurança no Árctico, espreitam as terras raras, minerais estratégicos, energia, sectores onde muitos dos multimilionários que rodeiam o presidente norte-americano têm muitos milhões investidos. Em Gaza, em plena tragédia humanitária, surge dos escombros um mega-projecto imobiliário de “reconstrução”, apresentado pelo genro com o módico “preço” de 25 mil milhões de dólares.

Trump diz querer muito o Nobel da Paz. Mas a paz que oferece parece vir sempre condicionada a contratos, concessões e pedaços de mundo. Talvez seja esse o verdadeiro prémio que persegue.

Editor do Diário de Notícias

Diário de Notícias
Rui Frias
Editor-Executivo Adjunto do Diário de Notícias
26.01.2026

Visita: web counter free

- Neste Blogue, escreve-se em Português 🇵🇹 de Portugal (não adulterado pela colonização do AO).

 

Loading