158: Ar polar da Gronelândia chega a Portugal na 6ª. feira. Pode trazer neve

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // NEVE

Vem aí uma descida das temperaturas e “não se exclui a possibilidade de queda de neve e a formação de gelo e geada.” Conheça as previsões da Meteored Portugal para o que resta da semana (e para o fim de semana).

Vários distritos hoje sob aviso. Há previsões de chuva forte e neve

“Na sexta-feira [dia 16 de Janeiro], uma massa de ar polar proveniente da Gronelândia poderá intensificar o frio em Portugal continental”. Esta é a previsão de Alfredo Graça, geógrafo e especialista da Meteored Portugal (tempo.pt), que revela também que, “além da descida das temperaturas, não se exclui a possibilidade de queda de neve e a formação de gelo e geada.”

Esta semana, o continente será “condicionado, numa primeira, fase pela chuva gerada por frentes atlânticas e rios atmosféricos e, posteriormente, pela chegada de ar frio proveniente da Gronelândia”, é descrito num comunicado enviado ao Notícias ao Minuto.

Entre quarta e quinta-feira, a Meteored Portugal salienta que ocorrerá uma “descida gradual da temperatura”, mas que será “a partir de sexta-feira que a chegada desta massa de ar muito frio se fará sentir, intensificando o arrefecimento das temperaturas.” Assim, o continente terá “um ambiente puramente invernoso e com valores térmicos bem abaixo da média para a época”, com a possibilidade de “o frio persistir durante o fim de semana”.

Dia 16 de Janeiro, “nas terras montanhosas do Alto Minho, Alto Tâmega e Cávado, no Nordeste Transmontano, na Beira Alta, e ainda em algumas zonas da Beira Baixa e do interior Alentejano, as temperaturas diurnas situar-se-ão em valores típicos de situações de inverno rigoroso, algo que será reforçado por uma sensação térmica baixa”.

Vários distritos hoje sob aviso. Há previsões de chuva forte e neve

Vários distritos de Portugal continental vão estar hoje sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte e queda de neve, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Lusa | 08:43 – 13/01/2026

E no fim de semana?

Para sábado, dia 17 de Janeiro, de acordo com as previsões da Meteored Portugal, poderá esperar-se “uma descida acentuada e generalizada das temperaturas, com máximas que não deverão ultrapassar os 11-13°C, mesmo nas zonas habitualmente mais temperadas, como é o caso do Litoral”.

Já o domingo, dia 18, “manterá a tendência para valores globalmente frios, maioritariamente entre 10 e 12 °C”, mas “com registos mais baixos em várias zonas do interior, nas áreas de montanha e em cidades como a Guarda (5ºC)”.

Notícias ao Minuto
13.01.2026

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157: Mau tempo volta e espera-se muita chuva: saiba quando começa, quanto dura e onde vai chegar

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

Dezasseis distritos de Portugal continental vão estar na terça-feira sob aviso amarelo devido à previsão de chuva forte, de acordo com o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA)

Chuva
© TVI Notícias

Entre a meia-noite e as 09:00 de terça-feira, os distritos de Porto e Aveiro vão estar sob aviso amarelo por precipitação intensa, que poderá ser acompanhada por períodos de maior persistência. Já Coimbra, Leiria, Setúbal, Lisboa e Santarém terão aviso activo entre a meia-noite e as 06:00.

No Minho, a situação meteorológica adversa começa ainda durante a noite de segunda-feira. Viana do Castelo e Braga estarão sob aviso amarelo até às 09:00 de terça-feira, não só devido à chuva “persistente e por vezes forte”, mas também ao vento, com rajadas que podem atingir 75 km/h na faixa costeira e 90 km/h nas zonas montanhosas.

No interior e sul do país, a chuva forte motiva avisos amarelos em Vila Real, Viseu, Castelo Branco, Évora, Beja, Portalegre e Faro, válidos entre as 03:00 e as 12:00 de terça-feira.

O IPMA emitiu também aviso amarelo por vento forte para Viana do Castelo e Braga, entre as 21:00 e as 06:00, e para o Porto, entre a meia-noite e as 06:00.

Além da chuva e do vento, há ainda aviso amarelo por neve nos distritos da Guarda e Castelo Branco, em vigor entre as 06:00 de terça-feira (dia 13) e as 00:00. O distrito de Bragança não tem qualquer aviso meteorológico activo.

Além do continente, a Região Autónoma da Madeira também será afectada. A costa sul e as regiões montanhosas mantêm aviso amarelo por chuva até às primeiras horas de terça-feira. Já a partir das 09:00 e até às 21:00, a costa norte, a costa sul e o Porto Santo estarão sob aviso amarelo por agitação marítima, com previsão de ondas de noroeste entre quatro e cinco metros.

Nos Açores, o grupo Ocidental (Flores e Corvo) registou aviso laranja por agitação marítima forte, que entretanto passa a amarelo ao longo de terça-feira. Os grupos Central e Oriental mantêm avisos amarelos devido ao vento forte e à ondulação.

CNN Portugal
12.01.2026

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156: América. Afinal havia outra?

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🇵🇹 OPINIÃO

Entre nós, tem algum eco uma velha escola de anti-americanismo primário, que se alimenta da tese básica de que, na América, “eles” são todos iguais.

Republicanos e democratas, dependendo da conjuntura externa que condiciona o momento, representarão os interesses por trás da mesma moeda, o dólar, com faces apenas aparentemente diversas. São sempre os mesmos powers that be que ditam as regras, que mandam fazer ou desfazer as guerras. Os protagonistas alternam, mas a peça é basicamente idêntica. No fundo, na ocupação da Casa Branca, quase sempre, venha o diabo e escolha.

Com os anos, de forma racional, fui sendo levado, a pensar que, ao contrário dessa escola, nem tudo era assim tão bonnet blanc, blanc bonnet. Houve a tradição do New Deal de Roosevelt, emergiram ondas relevantes de políticas sociais. Nos direitos cívicos – chegando embora tarde ao que era evidente – os democratas estiveram quase sempre na linha da frente, muitas vezes com grande coragem.

É certo que, em momentos decisivos, em especial na obnubilação da Guerra Fria, a Administrações democratas fugiu o pé para os seus Vietnames, para o excepcionalismo, para um multilateralismo à la carte. Ainda assim, ia eu concluindo, não era bem a mesma coisa. Longe de ter sido entusiasta de Clinton ou de Obama, sempre me senti mais próximo dessa tradição do que da alternativa republicana, permanecendo um saudoso viúvo de Adlai Stevenson e de George McGovern – esse grupo dos the best presidents we never had.

Com a chegada de Trump à boca de cena, o contraste foi brutal. Tudo o que lhe era oposto passou a parecer melhor. De um dia para o outro, nos “meus”, esqueci os bombardeamentos de Clinton para mudar as notícias de Lewinsky, quase perdoei a cobardia de Obama na manutenção de Guantánamo, tentei apagar da memória a irresponsabilidade de Hillary Clinton na Líbia e, no limite, até desejei ter Kamala Harris na Casa Branca. O desespero induz estas fraquezas.

Trump anunciava-se muito mau. A realidade revelou-se ainda mais impiedosa. A deriva fez-se em catadupa, tanto na ordem interna como no plano internacional. Sanders e Ocasio-Cortez levantavam a voz, mas ela foi submersa na irracionalidade feita política.

Foi então que me lembrei deles: de Bill Clinton, de Al Gore, de Obama, de Hillary Clinton e até, enfim, de Kamala Harris. E esperei que falassem. Em vão.

Quando Trump ameaça usar força militar contra a Gronelândia – território de um aliado NATO – ou quando desmonta, com desdém, o sistema das Nações Unidas que os próprios Estados Unidos ajudaram a construir, o silêncio daquelas que foram lideranças democratas de peso é perturbador. Os promotores históricos do multilateralismo, de uma ordem internacional com algumas regras ou da agenda climática permanecem ausentes do espaço público, enquanto décadas de diplomacia são desfeitas com uma penada arrogante.

Este silêncio não é neutro. É uma escolha. Quando uma potência se arroga direitos de natureza imperial sem oposição interna credível, cria precedentes. E os precedentes, como bem sabemos, raramente ficam confinados a quem os inaugura. O silêncio de hoje prepara a capitulação de amanhã.

Será então que, afinal, a tese do “eles são todos iguais” tem alguma razão de ser? No final de contas, neste momento decisivo, que é feito da outra América?

Embaixador

Diário de Notícias
Francisco Seixas da Costa
12.01.2026

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155: Onze distritos sob aviso amarelo na terça-feira devido à chuva e vento forte. Rajadas podem chegar aos 90 km/h

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🇵🇹 PORTUGAL // METEOROLOGIA // MAU TEMPO

A partir da noite desta segunda-feira (12 de Janeiro), os distritos de Viana do Castelo e Braga estarão já sob aviso amarelo por causa da chuva por vezes forte.

Foto: Leonardo Negrão

Onze distritos de Portugal continental vão estar na terça-feira (13 de Janeiro) sob aviso amarelo devido à previsão de chuva por vezes forte, segundo o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA).

Os distritos de Viana do Castelo e Braga estarão já a partir das 21:00 desta segunda-feira e até às 09:00 de terça-feira com aviso amarelo por causa da chuva por vezes forte.

O IPMA emitiu também aviso amarelo para estes dois distritos entre as 21:00 desta segunda e as 06:00 de terça-feira por causa do vento, prevendo-se rajadas até 75 quilómetros por hora (km/h) na faixa costeira e até 90 km/h nas serras.

Na terça-feira, entre as 00:00 e as 09:00, também devido à chuva, vão estar sob aviso amarelo os distritos de Faro, Porto, Setúbal, Santarém, Lisboa, Leiria, Beja, Aveiro e Coimbra.

O Instituto colocou também sob aviso amarelo por causa da chuva por vezes forte entre 18:00 desta segunda e as 00:00 de terça-feira a costa sul e as regiões montanhosas da ilha da Madeira.

As costas norte e sul da ilha da Madeira e o Porto Santo vão estar também sob aviso amarelo entre as 09:00 e as 21:00 de terça-feira por causa da agitação marítima, prevendo-se ondas de noroeste com 4 a 5 metros.

O IPMA emitiu avisos laranja para o grupo ocidental dos Açores (Flores e Corvo) devido à agitação marítima forte até às 12:00 desta segunda, passando depois a amarelo até às 15:00.

O grupo ocidental está também sob aviso amarelo até às 12:00 desta segunda devido à previsão de vento forte.

Os grupos Oriental (Santa Maria e São Miguel) e central (Terceira, Graciosa, Faial, Pico e São Jorge) estão também sob aviso amarelo por causa da agitação marítima (até às 18:00 desta segunda) e do vento forte (até às 21:00 desta segunda).

O aviso laranja é emitido pelo IPMA sempre que existe “situação meteorológica de risco moderado a elevado, e o amarelo quando há uma situação de risco para determinadas actividades dependentes da situação meteorológica.

Diário de Notícias
DN/Lusa
12.01.2026

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154: Doente oncológica em fase terminal foi deitada no chão da urgência do hospital de Coimbra por falta de macas

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🇵🇹 PORTUGAL // HOSPITAIS // DESUMANIDADE

O relato foi feito nas redes sociais através de uma carta aberta do filho da doente, na qual refere que por falta de ambulâncias teve de levar a mãe, “com dores insuportáveis”, num carro particular.

FOTO: FACEBOOK / JOÃO GASPAR

O filho de uma doente oncológica em fase terminar denunciou, numa carta aberta publicada nas redes sociais, que a sua mãe teve de ficar deitada no chão das urgências do Hospital de Coimbra na quinta-feira, 8 de Janeiro,

No texto, com o título de “Quando o SNS deixa os doentes no chão”, João Gaspar revela que a sua mãe “tem um cancro generalizado na zona abdominal”, faz quimioterapia e “vive com dores constantes”, razão pela qual “não consegue andar sozinha” nem “permanecer sentada por muito tempo”.

Tendo em conta as muitas dores que sentia a sua mãe na quinta-feira, João Gaspar diz que telefonou para a Linha SNS 24, mas “ninguém atendeu”, tendo depois feito uma chamada para o 112, na qual lhe foi dito que lhe iriam mandar uma ambulância, mas “vinte minutos depois voltaram a ligar para dizer que não havia ambulâncias disponíveis e que teríamos de aguardar por tempo indeterminado”. Isto numa altura em que, diz, as dores eram “insuportáveis”.

Por essa razão, não lhe restou alternativa senão colocar a doente no automóvel pessoal para levá-la às urgências. “Avisei que estava a chegar com uma doente grave, antecipando o problema que é chegar à entrada das urgências com um carro particular. Disseram-me apenas para falar com a polícia à entrada”, conta.

O problema foi quando chegou às urgências, com a mãe deitada no banco de trás e lhe disseram que não havia macas disponíveis e que a doente teria de ir de cadeira de rodas, algo que ela não conseguia por causa das dores.

Acabou por recorrer à ajuda de um familiar para transportar a mãe para o interior do hospital, onde “ninguém tinha uma solução” para o problema. Sem uma maca e sem qualquer alternativa para dar mais comodidade à doente, conta João Gaspar que não restou alternativa senão ir buscar uma manta e estende-la no chão para deitar a sua mãe. “Houve quem criticasse a decisão. Só quando perceberam que aquela imagem estava a ser registada é que alguém começou a agir”, refere.

“Depois disso, tudo aconteceu como devia ter acontecido desde o início. Foi-lhe administrada morfina, duas vezes. Recebeu soro. Foram feitos exames. Os meios existiam, o que faltou foi humanidade”, sublinhou na carta aberta que diz não ser contra os profissionais de saúde. “É contra um sistema que permite que uma doente oncológica terminal fique no chão”, finalizou.

Diário de Notícias
Carlos Nogueira
10.01.2026

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153: Parlamento aprova Estatuto da Pessoa Idosa. PCP votou contra

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🇵🇹 PORTUGAL // PARLAMENTO // ESTATUTO DA PESSOA IDOSA

O parlamento aprovou esta sexta-feira o texto final relativo ao Estatuto da Pessoa Idosa, com os votos contra do Partido Comunista (PCP) e os votos a favor dos restantes partidos e deputados únicos.

Idoso em unidade de cuidados continuados
© TVI Notícias

O Estatuto havia sido aprovado em 17 de Janeiro de 2025, no parlamento, na altura com os votos contra do PCP e a abstenção do Bloco de Esquerda, depois de a proposta de lei do Governo ter sido aprovada em Conselho de Ministros em Outubro de 2024.

Na altura, a ministra do Trabalho, Solidariedade e Segurança Social explicou que o objectivo do documento é reunir num mesmo instrumento jurídico um conjunto de direitos já vigentes, ao mesmo tempo que cria políticas públicas que promovem um envelhecimento activo e valorizado por toda a sociedade.

Na sequência dessa aprovação na Assembleia da República, o documento seguiu para a ser discutidos na Comissão de Trabalho, Segurança Social e Inclusão, de onde saiu o texto final votado esta sexta-feira.

De acordo com o documento aprovado esta sexta-feira, o Estatuto da Pessoa Idosa aplica-se a todas as pessoas idosas residentes em território nacional, definindo que “é da responsabilidade da família, da comunidade e do Estado assegurar à pessoa idosa a efectivação do direito a uma vida digna, à cidadania, e à convivência familiar, social e comunitária”.

Um dos princípios gerais define que a garantia dos direitos das pessoas idosas tem como pressuposto “a prioridade da permanência da pessoa idosa na sua própria residência”, a garantia de acesso a serviços de saúde e de apoio social ou o atendimento prioritário nas entidades públicas e privadas com atendimento ao público.

O Estatuto traz reunidos e sistematizados um conjunto de direitos, princípios e garantias para assegurar a autonomia, qualidade de vida e segurança da população idosa.

Inclui um conjunto de direitos que vão desde a protecção da integridade e combate à violência, à saúde e protecção social, passando pela cultura, educação, lazer, habitação e mobilidade.

No que diz respeito à habitação, por exemplo, refere que a pessoa idosa tem direito a viver numa habitação condigna, adequada às suas necessidades e condições de vida, e que não pode ser discriminada no acesso ao arrendamento devendo ser asseguradas medidas de protecção para arrendatários idosos.

Em matéria de educação, define que “todos os programas de ensino formal vocacionados para a cidadania devem conter matérias relacionadas com o processo de envelhecimento e longevidade, de forma a eliminar preconceitos e a produzir conhecimento sobre o envelhecimento”.

O documento inclui também referências ao apoio domiciliário, definindo que cabe ao Estado apoiar a criação e comparticipação de respostas sociais que privilegiam a autonomia da pessoa idosa e o papel dos cuidadores informais, bem como de cuidados de apoio no domicilio.

Acautela igualmente a protecção da integridade e combate à violência, apontando que “a pessoa idosa deve ser protegida contra qualquer forma de negligência, discriminação, violência, opressão ou abandono”.

CNN Portugal
Lusa
09.01.2026

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152: Um país que arrisca desistir de si próprio

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🇵🇹 OPINIÃO

O falecimento de três pessoas enquanto esperavam por ambulâncias do INEM, na mesma semana em que este organismo implementou um novo sistema de triagem, é algo que não pode ficar sem consequências. Caso contrário, corremos o risco de, em breve, vivermos num país onde este tipo de situações passam a ser banais.

O que aconteceu nos últimos dias não é um acidente estatístico, nem um episódio isolado. É o culminar de anos de degradação acumulada no sistema de emergência médica, denunciada repetidamente pelos próprios profissionais do INEM, pelos bombeiros e por sucessivos relatórios internos. Só esta semana, três pessoas morreram enquanto aguardavam socorro – uma no Seixal, outra na Quinta do Conde e outra em Tavira – todas com tempos de espera superiores aos previstos na triagem de emergência.

Mas estes três casos recentes são apenas a face mais visível de um problema que se arrasta há anos. Em 2024, durante as greves dos técnicos de emergência pré-hospitalar, a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde abriu inquéritos a 12 mortes ocorridas nesse período, concluindo que, pelo menos, três estiveram directamente associadas a atrasos no socorro, o que já motivou a abertura de um processo criminal, três inquéritos da IGAS e outros tantas auditorias do próprio INEM.

Antes disso, já se acumulavam episódios de grávidas a dar à luz em ambulâncias, utentes deixados horas em macas nos corredores das urgências e falhas repetidas na articulação entre hospitais e meios pré‑hospitalares – um cenário que se agravou progressivamente nos últimos anos do Governo de António Costa e nos mandatos da AD, com crises sucessivas no Serviço Nacional de Saúde (SNS).

A Comissão de Trabalhadores do INEM tem sido clara: houve “anos de forte desinvestimento”, com falhas nos recursos humanos, nos meios técnicos e na organização interna, deixando o instituto incapaz de responder às necessidades reais do país. Quando o presidente do INEM afirma que o instituto “fez o seu trabalho” e que o problema é a falta de ambulâncias disponíveis, está a admitir aquilo que todos já percebemos: o sistema está tecnicamente montado, mas operacionalmente falido.

E é precisamente aqui que reside o perigo. Quando três mortes em 48 horas deixam de ser um escândalo nacional e passam a ser apenas mais um ciclo noticioso, entramos numa zona moralmente inaceitável. Um país que normaliza a morte por falta de socorro é um país que desistiu de si próprio.

O Governo pode anunciar mais ambulâncias – como fez esta quinta-feira, prometendo 275 novas viaturas -, mas a verdade é que o problema não se resolve apenas com compras. O que falta é liderança, planeamento e coragem política para enfrentar a raiz do problema: um SNS que perdeu capacidade de resposta e um INEM que opera no limite, dependente de equipas exaustas e de uma rede de urgências frequentemente colapsada.

O que aconteceu esta semana não pode ser tratado como uma fatalidade. É uma responsabilidade. E responsabilidades têm nome, têm história e têm consequências. Se tudo ficar na mesma e nada mudar, não será preciso esperar muito para que a próxima morte por falta de socorro deixe de nos chocar. E quando chegarmos a esse ponto, teremos perdido algo muito mais grave do que um serviço público: teremos perdido a noção do que significa viver numa sociedade decente.

Director do Diário de Notícias

Diário de Notícias
Filipe Alves
09.01.2026

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151: Idosa morre em Sesimbra após esperar 40 minutos por ambulância que veio de Carcavelos, a 35 km de distância. INEM abre auditoria

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🇵🇹 PORTUGAL // SNS // INEM // MORTES

Os bombeiros indicam que “a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local”. As VMER mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) estavam “ocupadas em ocorrências emergentes”, diz INEM.

Bombeiros de Carcavelos

Uma idosa, com cerca de 70 anos, morreu na quarta-feira (7 de Janeiro) na Quinta do Conde, em Sesimbra, depois de esperar cerca de 40 minutos por uma ambulância, que veio de Carcavelos, a 35 quilómetros do local da ocorrência.

No espaço de uma semana, este é já o terceiro caso de uma morte associada a atrasos na chegada de meios de socorro. Na terça-feira (6), um idoso morreu no Seixal, após esperar cerca de três horas pela chegada de meios de emergência e na quarta-feira um homem em Tavira morreu depois de ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, segundo disse fonte familiar à Lusa.

A situação que ocorreu na Quinta do Conde foi denunciada pela própria corporação de bombeiros nas redes sociais. “Apesar da pronta saída do quartel, a distância entre as duas localidades condicionou inevitavelmente o tempo de chegada ao local”, indicou. “Por cada minuto que passa sem manobras de reanimação, a vítima perde cerca de 10% de hipóteses de sobrevivência”, realçam os bombeiros de Carcavelos.

A corporação explica que, durante a tarde de quarta-feira, a equipa “foi mobilizada para uma ocorrência de paragem cardio-respiratória” na Quinta do Conde, no concelho de Sesimbra, “a cerca de 35 km de Carcavelos”. Na publicação do Instagram, é referido, por lapso, que a ocorrência tinha sido sido no Seixal, mas o comandante da corporação, João Franco, confirmou ao DN que foi na Quinta do Conde.

Os bombeiros foram “accionados às 14h00” e chegaram ao local “às 14h44”, explicou António Canento, segundo comandante da corporação, à SIC Notícias. “A equipa encontrou uma vítima em paragem [cardio-respiratória], iniciaram manobras de suporte básica de vida. Para o local o INEM já tinha accionado uma viatura médica e a autoridade estava a caminho do local”, afirmou o responsável.

Questionado sobre se considera normal que tenham sido accionados, estando a cerca de 35 quilómetros do local da ocorrência, o segundo comandante da corporação respondeu: “Não deveria ser normal, mas já acontece com alguma regularidade”.

“Segundo a informação que temos as ambulâncias mais próximas ficam retidas nos hospitais, que, supostamente, não têm capacidade de alojar os doentes acamados”, disse o segundo comandante. O óbito foi declarado no local, acrescentou.

“Não é novidade para nós”, diz comandante dos bombeiros de Carcavelos

Esta não foi a primeira vez que os bombeiros de Carcavelos foram accionados para responder a uma ocorrência na margem sul. “Não é novidade para nós”, disse ao DN o comandante da corporação.

João Franco refere que este tipo de situações acontecem quando há uma maior afluência nas urgências hospitalares, como está a acontecer actualmente. “Isto devia ser uma excepção”, considerou o comandante, referindo, no entanto, que “não está a ser uma rotina”.

Explica que o quadro transmitido quando foram accionados dizia respeito a uma mulher “com falta de ar” e que quando chegaram ao local, 44 minutos depois, a vítima estava em paragem cardio-respiratória.

INEM fala em “indisponibilidade de meios na margem sul do Tejo”

O INEM já reagiu ao lamentar “o falecimento da utente”, referindo que se encontra “a auditar os procedimentos internos associados à ocorrência.

Na fita do tempo divulgada pelo INEM, a chamada para o 112 foi efectuada às 13h43″, tendo sido “triada no CODU como P2 – muito urgente”.

O CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes) “tinha já informação de inexistência de ambulâncias disponíveis no distrito de Setúbal”, refere o INEM. “Às 14h01, o Comando Sub-Regional da Grande Lisboa da ANEPC disponibilizou uma ambulância dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos.

Às 14h06, foi feita uma nova triagem pelo CODU e a prioridade alterada foi alterada para P1 – emergente.

As Viaturas Médicas de Emergência e Reabilitação (VMER) “mais próximas (Setúbal, Barreiro e Almada) encontravam-se naquele momento ocupadas em ocorrências P1 – emergentes”, explica o INEM em comunicado. “Às 14h37, a equipa dos Bombeiros Voluntários de Carcavelos, no local, informou que a utente se encontrava em paragem cardio-respiratória” e, às 14h42, “a VMER de Setúbal, entretanto disponível, foi accionada para o local”.

“Tal como na situação ocorrida ontem na margem sul do Tejo, o INEM cumpriu a sua função, não tendo a resposta sido mais eficaz devido à indisponibilidade de meios na margem sul do Tejo”, realça o Instituto Nacional de Emergência Médica.

Para o INEM, estas duas ocorrências “são totalmente alheias ao sistema de triagem por prioridades do CODU”, que, assegura, “funcionou de acordo com os procedimentos definidos”.

Na mensagem divulgada no Instagram, a corporação de Carcavelos realça que “este tipo de ocorrência relembra-nos a importância dos tempos de resposta e da proximidade dos meios de socorro, salientando que, mesmo com a melhor preparação técnica e humana, a distância é um factor crítico na probabilidade de sucesso da reanimação”.

“Continuamos empenhados em garantir resposta rápida, profissional e humana, ainda que, por vezes, as limitações geográficas e de cobertura operacional criem desafios significativos ao trabalho dos bombeiros”, lê-se na nota divulgada pelos bombeiros.

Este é o terceiro caso conhecido esta semana de uma morte associada ao atraso na chegada de meios de socorro. Na terça-feira (6), um homem de 78 anos, da Aldeia de Paio Pires, no Seixal, distrito de Setúbal, morreu depois de ter aguardado cerca de três horas pela chegada de meios de emergência. O Ministério Público abriu um inquérito a este caso, assim como e a Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS).

Já ao final tarde de quarta-feira, um homem, de 68 anos, em Tavira, morreu depois ter estado mais de uma hora a aguardar por meios de socorro, disse à Lusa fonte familiar.

Diário de Notícias
Susete Henriques, Ana Mafalda Inácio
08.01.2026

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150: Morrer à espera de uma ambulância

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🇵🇹 OPINIÃO

“Não havia ambulâncias na Margem Sul para dar resposta.” A frase é de Luís Mendes Cabral, o actual presidente do Instituto Nacional de Emergência Médica (INEM), ao comentar a morte de um homem de 78 anos, na terça-feira passada (6 de Janeiro), no Seixal depois de esperar cerca de três horas por assistência na Aldeia de Paio Pires, localidade que fica a 15 quilómetros do Hospital Garcia de Orta (Almada).

O caso concentrou as atenções mediáticas durante o dia de ontem e tornou-se mais um tema para a fogueira em que está a arder o INEM desde há muito tempo.

Ontem, falou-se no novo sistema de triagem, que o Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar quer ver suspenso. Já o INEM garantiu que a sua resposta foi “dada dentro do prazo” e que fez o seu trabalho, pois “fez a triagem, que está correta, e fez pedido de ambulância ao fim de 15 minutos”.

Mas o ponto essencial e que deveria merecer muita atenção é apenas este: uma pessoa morreu porque esperou três horas por uma ambulância.

Aos familiares – deste idoso e de outras pessoas que têm ficado à espera de socorro, como denunciou o presidente do sindicato, Rui Lázaro – não interessam discussões sobre algoritmos ou sistemas de triagem. Esperavam era que a situação não tivesse acontecido. E que a justificação não fosse: não havia ambulâncias disponíveis na Margem Sul.

Provavelmente será essa a conclusão do inquérito que as Actividades em Saúde (IGAS) anunciou ter aberto. Ou seja, há uma grande possibilidade de ninguém ser responsabilizado por esta morte. O que, infelizmente, nem é caso raro.

Ou então a culpa será dos hospitais, que não têm camas para receber todas as pessoas que os procuram – sabendo-se que existem, por exemplo, duas mil pessoas que não deveriam estar nestas unidades de saúde, mas que não têm outro local para ser internadas -, o que obriga os veículos dos bombeiros a ficarem nos parques de estacionamento com os doentes nas suas macas.

Nunca será da falta de planeamento na área da Saúde, da ausência de médicos de família e de centros de saúde abertos mais horas para responder a casos menos críticos – como gripes mais fortes -, nem do facto de o país nunca ter sido capaz de redimensionar a sua rede de socorro às exigências de uma sociedade que se mudou para os grandes centros urbanos.

A verdade, todavia, é que situações como a do Seixal – que reivindica há anos um hospital no concelho – continuam a existir. E isso deve envergonhar qualquer responsável, político ou não, ligado à Saúde.

Editor executivo do Diário de Notícias

Diário de Noticias
Carlos Ferro
08.01.2026

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Atraso no socorro termina em morte no Seixal. “Não havia ambulâncias disponíveis”, diz presidente do INEM

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🇵🇹 PORTUGAL // INEM // MORTES

Um homem de 78 anos morreu na terça-feira, 6 de Janeiro, depois de ter aguardado cerca de três horas pela chegada de meios de emergência. IGAS abriu inquérito. Presidente do INEM recusou que novo sistema de triagem tenha estado na origem desta situação.

Pedro Correia

Um homem de 78 anos morreu na passada terça-feira, 6 de Janeiro, no concelho do Seixal, depois de ter aguardado quase três horas pela chegada de meios de emergência médica, numa situação que voltou a levantar críticas ao recente sistema de triagem do INEM. O presidente do INEM já reagiu, dizendo que não havia ambulâncias disponíveis. A Inspecção-Geral das Actividades em Saúde (IGAS) já instaurou um processo de inquérito para averiguar “a qualidade do serviço na perspectiva da prontidão, designadamente por parte do INEM”.

De acordo com informação recolhida pela Lusa,  o alerta para o 112 foi feito pela primeira vez às 11h20. A ocorrência foi classificada como prioridade 3, o que, segundo as regras em vigor, prevê o accionamento de meios num prazo até 60 minutos. No entanto, a viatura médica só foi enviada às 14h09, quando já se encontrava disponível uma equipa de Almada.

A cronologia do caso indica que, poucos minutos após a primeira chamada, foi registado que a vítima tinha sofrido uma queda e apresentava sinais de confusão, agitação, sonolência e prostração. Apesar do quadro clínico descrito, a resposta foi sendo sucessivamente adiada devido à indisponibilidade de ambulâncias na região.

Pelas 12h48, foi assinalado que a Cruz Vermelha do Seixal não tinha meios disponíveis e que as ambulâncias de Almada e do próprio Seixal estavam ocupadas. Às 13h29, foi feita uma segunda chamada a questionar a demora no socorro. Já às 14h05, uma nova comunicação informou que o homem se encontrava em paragem cardio-respiratória. Quatro minutos depois, foi finalmente accionada a viatura médica.

À Lusa, o presidente do Sindicato dos Técnicos de Emergência Pré-Hospitalar (STEPH), Rui Lázaro, admitiu que o novo modelo de triagem, implementado no início do ano, poderá ter tido influência no desfecho fatal. Segundo explicou, a atribuição de uma prioridade que permite uma resposta até 60 minutos pode atrasar a procura activa de meios logo após a abertura da ocorrência, algo que anteriormente não acontecia.

O dirigente sindical alertou ainda para a repetição deste tipo de situações desde a entrada em funcionamento do novo sistema. Segundo o sindicato, têm sido recebidas denúncias diárias de casos em que os tempos máximos definidos para cada prioridade são ultrapassados sem que seja enviada qualquer ambulância, mesmo quando existem meios no terreno.

Presidente do INEM diz que não havia ambulâncias

Luís Mendes Cabral, presidente do INEM recusou que o novo sistema de triagem tenha estado na origem desta situação e considerou que o problema foi a falta de ambulâncias. “Não havia ambulâncias na margem sul para dar resposta”, disse aos jornalistas.

O responsável considerou que “a resposta do INEM foi dada dentro do prazo”, que “o INEM fez o seu trabalho, fez a triagem, que está correta, e fez pedido de ambulância ao fim de 15 minutos”. No entanto, reafirmou: “Por falta de meios não foi possível dar essa resposta”.

Segundo o responsável, a prioridade que foi definida “foi exactamente” a mesma que teria sido definida no sistema de prioridades que o INEM tinha anteriormente, ou seja, uma prioridade urgente.

“A resposta do INEM foi dada dentro daquilo que era o prazo. Fizemos a nossa primeira tentativa de activação de meios. Infelizmente, e como tem sido notícia em todos os órgãos de comunicação social do país, há uma limitação muito significativa de ambulâncias, principalmente na margem sul, por via da retenção dessas ambulâncias nas unidades de saúde”, acrescentou.

Recorde-se que o novo sistema de triagem do INEM estabelece cinco níveis de prioridade, inspirados no modelo hospitalar, e define tempos de resposta diferenciados consoante a gravidade clínica avaliada durante a chamada. Apesar de o objectivo ser melhorar a gestão dos recursos, bombeiros e profissionais da emergência têm vindo a criticar o modelo, alertando para o risco de doentes ficarem longos períodos à espera de socorro.

Ministra limita-se a constatar dificuldades, diz PS

Na sequência deste caso, Mariana Vieira da Silva, do Partido Socialista, que apresentou um requerimento na Assembleia da República para ouvir com urgência o presidente do INEM na Comissão de Saúde, considerou que actualmente “a existência da ministra da saúde é pouco relevante”. “Limita-se a constatar as dificuldades que existem e não tem nenhuma resposta para essas dificuldades”, criticou.

A deputada socialista lembrou que o PS apresentou ao Governo uma proposta sobre emergência hospitalar e nunca teve resposta e defendeu que a situação no distrito de Setúbal, para o qual o Ministério da Saúde anunciou várias medidas, só irá piorar.

De acordo com Marina Vieira da Silva, actualmente “uma pessoa quando liga para o INEM espera ter sorte quando deveria esperar resposta”.

Já Mário Amorim Lopes, da Iniciativa Liberal, começou por lamentar “mais uma morte que poderia ter sido evitado se ao Estado cumprisse o seu papel” e lembrou que foi o seu partido que requereu a Comissão de Inquérito ao INEM que arrancou esta quarta-feira, esperando que esta possa gerar uma “discussão profunda”.

“Quanto à ministra, chegou a sua hora, é hora de tomar decisões, é hora de reformar o INEM”, defendeu, lembrando que Ana Paula Martins “está há quase dois anos no cargo, é hora de tomar decisões”. “Ou apresenta uma proposta de reforma do INEM ou terá de se encontrar alguém que o consiga fazer”, defendeu.

Diário de Notícias
Alexandra Tavares-Teles, Sofia Fonseca
07.01.2026

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